festa no covil


Não conhecia esse subgênero da narcoliteratura, da qual este nem é um filho legítimo, diga-se, mas me parece um recorte muito interessante. Mais interessante é uma novela brevíssima como esta, falada toda pela voz de uma criança, idade não revelada mas me parece algo como dez anos, que tenta fazer sentido do mundo a partir de seu filtro muito particular: filho de narcotraficante, órfão de mãe, morador de um imenso palácio repleto de animais selvagens (ou assim ele diz), tendo como tutor um publicitário desgraçado que na verdade queria ser escritor. Acho que não passa de 70 páginas (li digital), mas cabe uma infinidade de coisas sobre a infância, a violência, os buracos de bala, o México como cultura e como forma de expressão, a literatura. Não tenho receio em falar que Villalobos está aqui como Borges esteve em Pierre Menard, pensando a palavra escrita (e seu potencial de mentir feliz) até suas últimas capacidades. Fueda.

Festa no Covil (★★★★)
Juan Pablo Villalobos, México, 2010 / Companhia das Letras