climax


Ver esse filme tão próximo do Suspiria de Guadagnino me faz gostar um pouco menos daquele, pelo qual a admiração já se dava a uma distância segura. Noé também faz um filme sobre (uma espécie de) guerra, sobre as políticas de fronteira e de sexo, sobre o domínio completo e irrestrito sobre o próprio corpo como arma de construção mas, diferente do italiano, a dança colabora de fato com a escritura e proposição desse debate. Não sou versado nas teorias da videodança mas há algo de muito forte em Climax no que diz respeito ao movimento como narrador; tendo estabelecido as possibilidades da relação com a dança numa longa sequência de entrevistas com seus personagens, todas as escolhas que se seguem parecem ter algo à adicionar nessa ideia de ser reativo, combativo, falar alto, e no afã de querer falar alto fazer com que seu discurso seja diluído - questões da juventude, talvez. Mesmo nas passagens onde tudo se mostra estático e pausado se percebe uma potência corporal, o diálogo se faz também uma proposta de coreografia. O que mais atrapalha Noé, no entanto e como sempre, é a quantidade de disparos por minuto, apesar do diretor parecer mais contido do que jamais esteve. Bom, e um milagre que não desmorone por completo.

Climax (★★★)
Gaspar Noé, França/Bélgica/Estados Unidos, 2018