à cidade


Como diz o título, este é um breve livro de poemas onde Mailson Furtado tenta render loas à sua terra natal e seus ancestrais, e o faz, a partir de um pastiche francamente risível de tudo aquilo que Drummond, Quintana e sobretudo Gullar já fizeram antes. Porque precisamos de alguém que se parece muito com Ferreira Gullar se a obra do próprio está aí para ser lida? É muito fácil ler essa aversão ao livro de Mailson como uma retaliação à sua inexplicável vitória dos Jabutis de Poesia e Livro do Ano, mas a verdade é que se trata de poesia muito pouco inspirada, quase adolescente em suas imagens e ladainhas sobre o que é a rua, no que consiste uma cidade, a importância de fincar raízes e tantos outros lugares comuns. Não me parece possível nem pensar o livro a partir de um ângulo regionalista, já que esse espaço também não é ocupado de fato pelo texto, travado no meio do caminho entre o mais contemporâneo "verso livre" e algo de musical, vaga memória de glosa sertaneja. Ruim.

à cidade (★)
Mailson Furtado, Brasil, 2018