outubro 18


me sinto como desviado
não se sinta
por favor
eu não sou boa companhia
quando não estou saudável
o tempo
e seus sinais
já incidem sobre mim
sim
mas me sinto como em desvio

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CINEMA

O Futuro Adiante (★★★)
Constanza Novick, Argentina, 2017

O Fantasma do Paraíso (★★★★)
Brian De Palma, Estados Unidos, 1974

Sorry to Bother You (★★★½)
Boots Riley, Estados Unidos, 2018
Poderia ser o Get Out! derivativo do ano mas descreve um percurso menos "comodista" com os códigos do filme negro, da comédia independente, do wtf como um todo. Não deixa de ser a fábula americana do herói (do novo herói) em sua tradicional jornada, mas se serve de anarquia e grande consciência de classe, ainda que levemente ingênua. Um pouco de alento, respiro, e energia para uma luta que parece tão perdida.

Halloween (★★★★)
John Carpenter, Estados Unidos, 1978
Não cabe pensar um filme sem levar contexto histórico em consideração, mas crescer assistindo Pânico deixa qualquer slasher anterior em severa desvantagem, não importa o quão refinado ou Carpenter ele seja.

Nasce uma Estrela (★★★½)
Bradley Cooper, Estados Unidos, 2018

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LITERATURA

Nenhum Mistério (★★★★)
Paulo Henriques Britto, Brasil, 2018 / Companhia das Letras

Poemas (★★)
Mariana Campos, Brasil, 2014 / Cozinha Experimental
Ainda que essas seletas propostas pela Cozinha Experimental em sua Coleção Kraft sirvam justamente para introduzir "novos" autores ao público, quase todos os seus volumes (ou pelo menos os que li) mostram poetas de voz já muito firme, potente, ou já inseridos num processo criativo muito particular, onde já é possível experimentar o que finalmente serão as suas imagens. Por isso me desagrada um pouco esse volume da Mariana Campos. Longe do ruim, mas um tanto incipiente demais, genérico, de certa forma. A introdução de Celso Adolfo pede o aguardo de uns anos mais à frente, até termos "a confirmação de que essa luz estará firme na pedra", e é isso. Um poema que diz "um animal fêmeo / que enfeita com sombra os seus cabelos de pedra / e de um rio a outro / transporta água / como se carregasse flores" é bonito porque assim nasceu, ou porque se chama "a primeira esposa de Murilo Mendes"? Questões. Me pergunto se a Mariana já lançou algo desde então. Queria saber se a luz dela já alcançou a pedra.