nasce uma estrela


Ouvi um ou outro comentário sobre 'o retorno ao grande melodrama americano', acho que não é bem aí, mas é algo como. Há algum tipo de retorno, sobretudo se pensamos a contenção/economia (austeridade?), do filme para com seus próprios preceitos. É um romance cujos pares vivem o mundo da música, "colocam ali sua alma", e é um romance com a rigidez (afetuosa ou não) de um Clint Eastwood maduro. Há ali um pouco das Pontes de Madison, um pouco de Jersey Boys. Todos os filmes sobre ascensão e queda se parecem entre si, mas este é um filme sobre ascensão entremeado com outro sobre queda, uma experiência bem diversa. Discordo de quem fala que Bradley fez o filme para Gaga brilhar, é muito mais ele, são deles as questões, é ele que pontua/observa/rege o mundo dela, mesmo quando perde impacto. Daí um retorno ao melodrama, a paixão trágica e impossível? Uma figura feminina de poder que fatalmente se vê satélite (iluminador) de seu par (mesmo que essa relação se desfaça?). Há que se pensar nessa política afetiva. São só umas ideias iniciais, mas o que fica mesmo é o fato de um oscar bait que se passa no mundo da música ter apreço por silêncios e por uma construção temporal pausada e honesta. Eu gosto.

Nasce uma Estrela (★★★½)
Bradley Cooper, Estados Unidos, 2018