moletom


Poesia urbana não é o gênero que mais me agrada (Zack Magiezi e Rupi Kaur, estou de olho em vocês), mas os quadrinhos do Julio em sua página homônima no Facebook tinham uma sensibilidade, uma ingenuidade que volta e meia rendia um sorriso sincero. Esperava que o primeiro livro do rapaz fosse uma graphic novel que unisse seus quadrinhos e poesias, ou algo nesse gênero, mas o que veio foi um romance, com algumas digressões visuais.

Moletom, o livro, é um boy meets boy onde um rapaz, refugiado de uma rusga familiar, aparentemente iniciada por conta de sua sexualidade, se apaixona por outro rapaz na cidade onde viverá por pouco tempo. Até aí tudo bem, mas até as histórias mais simples, e sobretudo elas, precisam ser contadas com muito esmero para se tornarem interessantes.

As personagens de Moletom são caricaturas de millenials, viciados em café, indie rock, e fofuras afins. Aquele sentimento, que ficava tão apropriado condensado numa tirinha, precisa de mais substância para sobreviver, o que não está na página. Esses rapazes vêm, vão, e você não teve como saber quem ou o quê eram de fato. Assim não funciona. Faço votos que o Julio se encontre como escritor, o talento está ali, falta lapidar.

Moletom (★★)
Julio Azevedo, Brasil, 2017 / Globo Alt