dez anos de curtas brasileiros


Compilação sentimental daquilo que, em minha humilde opinião, melhor representa o cinema brasileiro e seu desenvolvimento estético nos dez anos que passaram. As coisas acontecem nos curtas.
(Se o título está linkado, o filme está disponível para ser assistido, caso contrário, paciência.)

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Ricardo Alves Jr, 2007
Um título.

Salomão Santana, 2008
"Por que é que Salomão Santana assina a realização de um vídeo feito por outro? Quanto suor, realmente, foi derramado por Salomão Santana para “realizar” este “documentário”? Se a sua resposta, gentil leitor, for NENHUM, porque é uma grossa vigarice, acertou."

Marcelo Lordello, 2008
Se existe mais apavorante compilação de imagens não conheço.

Carlos Eduardo Nogueira, 2009
Ficção científica distópica (?) que o tempo tratou de transformar num documentário sobre a classe média/alta brasileira. Ou, mais provável, nunca tenha sido ficção e sempre existiu gente que mergulha na bosta porque acha divertido.

Marcelo Caetano, 2009
Nesses dias de "cura gay" a gente olha pra um filme como esse e pensa na luta, e em como ela não acaba nunca, e em como isso é frustrante, mas também em como cultivar a própria alegria já é uma forma de lutar.

Caetano Gotardo, 2009
"Não vai ser ruim, nada disso vai me fazer mal, porque agora eu gosto tanto de você. Isso só pode ser bom."

Adirley Queirós, 2009
Existe cinema político e existe o cinema de Adirley. Não se confundem.

Daniel Ribeiro, 2010
Tem quem goste, tem quem deteste, por aqui eu acho que foi importante pra vida de muitos jovenzinhos lgbt por aí (assim como o longa subsequente), e toda ajuda é bem vinda.

André Novais Oliveira, 2010
Um só plano, horror e saudade.

Breno Baptista, 2011
Aquela coceira na sola do pé, quarto abafado, acordar no meio da madrugada, dorzinha chata de amor.

Gabriela Amaral Almeida, 2011
Que drama ser trabalhadora, ser mãe, ser mulher, ser gente... Quem vai te lembrar que você existe de fato? Além disso, Luciana Paes.

Cainan Baladez e Fernanda Chicolet, 2012
É raro, mas pode acontecer de uma sinopse realmente capturar o espírito de um filme: "Ligia trabalha num parque de diversões. Suspensa num brinquedo de bolinhas, espera enquanto as crianças tentam acertar o alvo para derrubá-la. Seu uniforme é uma fantasia." Isso aí.

Lucas Sá, 2012
"Motorista que atropelou e jogou braço de ciclista tem pena reduzida. Estudante atirou o braço da vítima em um córrego após o acidente. Decisão judicial reduziu a pena para dois anos de prisão em regime aberto."

Gabriel Mascaro, 2012
Em dado momento, o protagonista reafirma que para eles, os surdos, o português é uma outra língua, um dialeto estrangeiro. E aí uma cartografia daquilo que é dito e das outras formas de dizê-lo.

Anita Rocha da Silveira, 2012
Um salve para todos que pegaram o bonde da Anita antes de Mate-me Por Favor. Os curtas dela são pequenos lampejos e recortes de tudo aquilo que viria depois, e tão maravilhosos quanto.

Nascemos Hoje, Quando o Céu Estava Carregado de Ferro e Veneno
Juliana Rojas e Marco Dutra, 2013
Pouco antes de se tornarem grandes-nomes-do-cinema-brasileiro, Rojas e Dutra eram conhecidos pelos curtas eventualmente despirocados e sempre maravilhosos (como os longas também são, diga-se); esse aqui é um bom exemplo.

Chico Lacerda, 2013
Você disse cinema pernambucano? Com humor, viadagem, Kate Bush...? Só vendo pra acreditar.

Leonardo Mouramateus, 2013
You'll be my baby and we'll fly away, and i'll fly with you.

Maurílio Martins, 2014
Mais ou menos um conto de fadas na periferia de Contagem. Amém Karine Teles.

Dia Branco
Thiago Ricarte, 2014
Um punhado de crianças numa colina com um celular que grava vídeos, e aí as lembranças, e aí um sentimento que é saudade, e medo, e angústia, mas que também não tem nome nenhum.

Gustavo Beck, 2014
História de tristeza, exílio, redescoberta, alegria, e cotidiano. Aquelas horas em que o tal cinema-contemporâneo-brasileiro revela sua faceta mais humana e sensível.

Natália Tereza, 2015
No coração do agroboy matogrossense toca uma canção que diz assim: "Com sua ajuda, tranquila e serena, vou aprendendo que amar vale a pena."

São Paulo Com Daniel
Deborah Viegas e Nicolas Thomé Zetune, 2015
Que filme da porra.

Como São Cruéis os Pássaros da Alvorada
João Toledo, 2015
Jamais me recuperarei da frustração de ver esse filme ser tão solenemente ignorado. É o Gus Van Sant de Paranoid Park dando um caloroso abraço na Mia Hansen-Love de Eden, e aí algum dos dois falaria algo como "ser jovem é uma dezena de desesperos e alguns milhares de cores bonitas".

Nunca é Noite no Mapa
Ernesto de Carvalho, 2016
—Eu poderia ter feito isso.
—Mas não fez.